Entrevista com o guitarrista John Baker (Graduate)

John Andrew Baker

02/04/1961

Bath, Inglaterra

 

Entrevista concedida entre 28/01/2019 e 29/04/2019

 

TFF-BR: Inicialmente, eu gostaria de agradecer a você pela disponibilidade e confiança no nosso projeto. Como muito fãs de Tears for Fears e de sua história, entendemos que você é fundamental para melhor compreendermos o período pré-Tears for Fears. Muito obrigado!

John Baker: Eu que agradeço.

 

TFF-BR: Para começar, eu gostaria de saber um pouco sobre sua infância em Bath, a relação com a música e sua amizade com Roland durante os dias de Culverhay School.

John Baker: Eu comecei a cantar ainda muito cedo, com 10 anos de idade eu passei a fazer parte do coral da Bath Abbey, rapidamente me tornando líder do grupo. Aos 14 anos, minha voz já não era a mesma, então comecei a tocar violão. Um dia, na sala de música da Culverhay, eu estava cantando e tocando Homeward Bound, do Paul Simon, quando a porta se abriu e o Roland entrou. Eu tinha ouvido falar que ele era um guitarrista incrível, então eu fiquei meio nervoso de tocar na frente dele, mas ele gostou e começou a cantar em harmonia. Nós nos tornamos grandes amigos e parceiros depois disto.

 

TFF-BR: Quando você conheceu Roland, Curt já o conhecia? Faziam parte do mesmo nicho de amizade?

John Baker: Roland conheceu Curt aproximadamente um ano antes. Eles foram juntos a um clube e fundaram uma banda, mas Roland acabou não ficando muito satisfeito com ela. Logo depois disso, eu e Roland começamos a nos apresentar juntos, nesse período Curt mudou de escola e não vimos mais o Curt até completarmos uns 17 anos.

 

TFF-BR: São essas apresentações que vocês faziam como Baker Brothers? Eu já li sobre um projeto chamado Duckz, sem ter informações mais precisas sobre ele.

John Baker: Sim, nós dois tínhamos longos cabelos escuros na época e alguém nos perguntou um dia se éramos irmãos, então decidimos por Baker Brothers. Nós tínhamos aproximadamente 15 anos e fazíamos apresentações em pubs de Bath. Sim, sobre a Duckz, foi como se chamou o primeiro projeto de Roland e Curt antes de formarmos o Baker Brothers.

 

TFF-BR: Foi a partir desta parceria entre vocês no Baker Brothers que surgiu a ideia para formar o Graduate, por volta de 1978, 1979?!

John Baker: Exato! Nós estávamos tocando em pubs e um dia fomos convidados a tocar baixo e guitarra numa peça musical chamada “Joseph and The Amazing Technicolor Dreamcoat”, de Andrew Lloyd Webber, em Bath. O produtor do show, chamado Colin Wyatt, nos ouviu no vestiário cantando juntos, então ele se aproximou e ofereceu para ser nosso manager. Nós aceitamos por ele ter se comprometido a pagar uma sessão de gravação. Então a primeira coisa que fizemos foi mudar o nome da banda para Graduate, depois convidamos Andy Marsden para tocar bateria, Steve Buck para os teclados e Curt para tocar baixo.

 

TFF-BR: Podemos dizer, então, que a origem do Graduate está relacionada de alguma forma com o projeto Baker Brothers?

John Baker: Sim, absolutamente!

 

TFF-BR: Graduate esteve na ativa por volta de três anos, singles, um álbum, turnê europeia, programa de TV... Considerando tudo isso, por quais motivos a banda acabou?

John Baker: Nós nos separamos porque não estávamos nos dando muito bem um com o outro. Nós fizemos um segundo álbum, mas que não foi bom o suficiente e foi rejeitado pela gravadora. A turnê na Alemanha foi extremamente difícil. Nós dirigíamos centenas de quilômetros diariamente, e montávamos e desmontávamos nosso próprio equipamento. No final da turnê, Roland deixou claro que não era assim que queria continuar. Alguns de nós tínhamos ideias diferentes e Curt estava se tornando hostil ao resto de nós. Foi uma pena, pois havia muito potencial na banda.

 

TFF-BR: Eu particularmente amo Graduate!

John Baker: Sim, há um charme juvenil quando falamos de Graduate e as músicas ainda podem soar atuais.

 

TFF-BR: Eu acho que muito da essência do new wave, do mod revival, tem estado presente em muitas bandas contemporâneas, você concorda?

John Baker: Sim, eu concordo. As músicas eram muito cativantes e bem estruturadas. Elas eram tocadas em instrumentos reais e as bandas tiveram que ser boas para sobreviver, então algumas bandas de hoje em dia copiaram aquele ótimo som.

 

TFF-BR: De volta aos anos 80, o que fizeram os membros do Graduate quando a banda acabou? Curt e Roland fizeram participações com o Neon, o que você fez naquela época?

John Baker: Eu me juntei a uma banda chamada The Korgis em 1981. Eles tinham acabado de ter um sucesso mundial com “Everybody’s Got to Learn Sometime” e tinham alcançado o topo das paradas na França e Espanha naquela época. Nós fazíamos aparições na televisão e promoções por toda Europa. Steve Buck, o tecladista, também se juntou a nós em alguns desses trabalhos, e Andy Marsden decidiu deixar a música.

 

TFF-BR: Muito interessante. Eu não sabia que você tinha se juntado ao The Korgis há tanto tempo, achei que fosse mais recente.

John Baker: Sim, eu estive com o Korgis de 1981 a 1983, e depois de 1990 até os dias de hoje.

 

TFF-BR: Eu vi uma foto recente de você e mais algumas pessoas no estúdio de Ian Stanley, como se fosse uma nova formação do Graduate. Sabemos da importância de Ian para a formação do Tears, mas antes disto, em Bath, o que você poderia falar sobre ele?

John Baker: Quando Roland e Curt deixaram o Graduate, tentamos continuar com dois novos membros e conhecemos o Ian num pub de Bath, então ele disse que podíamos usar o estúdio dele. Fizemos algumas demos, mas as músicas não eram tão boas quanto as de Roland, obviamente. Ian conheceu Roland e Curt num clube chamado Moles, em Bath, e ofereceu a mesma oportunidade de gravação, o resto vocês já sabem...

 

TFF-BR: Durante muitos anos Ian Stanley foi meu tecladista favorito, mas depois nunca mais ouvi falar dele. Você teve alguma notícia dele nesses últimos anos?

John Baker: Ele mora na Irlanda, é casado e têm filhos. Tornou-se um produtor musical de sucesso no final dos anos 80 e início dos 90 e trabalhou com Pretenders, Bryan Adams, Tori Amos, Human League. Roland disse que ele veio para vê-los da última vez que tocaram em Dublin.

 

TFF-BR: Não sabemos de uma participação sua no Tears for Fears até a década de 90, quando foi creditada a você os backing vocals de Cold e Break It Down Again. As suas participações foram apenas nestas duas músicas?

John Baker: Foram apenas nestas duas. Eu não tive uma relação forte com o Roland até a separação de ambos, a partir do The Seeds of Love nós restabelecemos nossa parceria. Sobre as participações, foi o seguinte: Roland estava gravando Break It Down Again e tentou gravar, ele próprio, os backin’s e não gostou do resultado. Na hora ele pensou “eu conheço alguém que poderia fazer isso” e me ligou. Enquanto eu estava gravando, adicionamos, eu e Julian, alguma coisa a Cold. Julian e eu passamos muito tempo com Roland neste período e, em muitas vezes, ficávamos em sua casa ou estúdio durante horas...

 

TFF-BR: Vamos falar um pouco sobre sua longa e ainda viva carreira com o The Korgis. Aqui no Brasil, nas estações de rádio que tocam “love songs”, músicas como Don’t Look Back e Everybody's Got to Learn Sometime são muito famosas. The Korgis, que contou com Andy Davis, membro-chave na história do Tears for Fears, principalmente em apresentações ao vivo durante a década de 1980. Como você se juntou à banda? Você já conhecia Davis e Warren (vocalista) ?

John Baker: Sim. Infelizmente, nunca fomos uma banda ‘ao vivo’ e só agora temos esse desejo e talvez seja um pouco tarde. Deveríamos começado a tocar ao vivo na década de 1980. O tempo foi passando, chegamos a ter de 6 a 8 anos sem muita atividade, o que era um grande desperdício. James Warren é um ótimo compositor e talvez nós devêssemos ter um pouco mais de sucesso. Iremos fazer alguns shows nos próximos meses, incluindo o 100 Club, em Londres. Eu conheci David e Warren desde os tempos em que eu e Roland entramos no estúdio de David Lord com nossos 16 anos. Eles estavam por lá na época gravando o primeiro álbum do The Korgis. Eu e James sempre nos envolvíamos quando o assunto eram os Beatles. Andy Davis deixou o Korgis em 1980, e quando o Graduate se separou, James entrou imediatamente em contato comigo. Entre 1989 e 2013, o The Korgis era na verdade um trio, comigo, Warren e Davis.

 

TFF-BR: Eu gostaria de saber algumas curiosidades, como por exemplo, quais são suas bandas/cantores favoritos?

John Baker: Paul Simon, Beatles, Eagles e Beach Boys.

 

TFF-BR: John, existe alguma história de infância que você e Roland estejam envolvidos, e que possa ser compartilhada com os fãs brasileiros?

John Baker: Quando estávamos na escola, com cerca de 16 anos, atuávamos e cantávamos em duas óperas de Gilbert & Sullivan, The Pirates of Penzance e Iolanthe, Roland e eu éramos os principais. Nós amamos a experiência. Estávamos treinando para sermos cantores clássicos naquela época. Daí o tema do romance escrito por Roland.

 

TFF-BR: Mudando de assunto... você já veio ao Brasil? Você conhece música brasileira?

John Baker: Eu amo música brasileira, mas nunca estive no Brasil. Roland me diz que é um lugar ótimo.

 

TFF-BR: Se você tivesse que escolher apenas uma música favorita do Korgis, Tears for Fears, Beatles e Graduate, quais seriam?

John Baker: This Worlds for Everyone (Korgis), Goodnight Song (Tears for Fears), Something (Beatles) e Ever Met a Day (Graduate).

 

TFF-BR: Muito obrigado, John, de verdade! Você poderia  deixar uma mensagem para nós do Tears for Fears - Brasil? Sobretudo para os fãs brasileiros que admiram seu trabalho?

John Baker: Minha mensagem é: continuem curtindo Tears for Fears e não esqueçam The Korgis!

 

Topic: John Baker

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